17 de março de 2009

Kitchi, vem me pegar!

Caros dois, vá, três leitores do domingo à tarde: têm à vossa frente a recém auto-nomeada “justiceira de Campo de Ourique”. Intrépida, destemida e brava. Uma guerreira solitária e anónima, determinada a acabar com essa praga que é o estacionamento em cima das passadeiras. Mais precisamente em cima daquela parte rebaixada que permite ao desgraçado que anda numa cadeira de rodas aceder ao passeio protector. Luto também em nome dos peões donos de duas pernas andantes e viçosas e dos pais modernos, que já não passam sem o carrinho de bebé. Mas é o cidadão privado da sua mobilidade que me move. Nem é preciso explicar porquê, certo? Basta uma pessoa imaginar-se naquela situação, certo? Bem, digo eu.
Em Campo de Ourique, a falta de civismo, e até de solidariedade, espreita a cada passadeira. É verdade que há muitos carros e poucos lugares de estacionamento. O bairro não estava preparado para a abundância automóvel. De facto. Mas eu também moro lá e não estaciono em cima das passadeiras. Procuro melhor, escolho as horas em que saio e chego com a viatura, aparco longe de casa. Outros há que não pensam assim e eu acho mal. Ontem, por exemplo, tentava, por todos os meios, chegar a um passeio e não conseguia. Sujeita a ser trucidada por algum autocarro ou automobilista mais nervoso, lutava para ultrapassar aquela muralha de chapa e chegar, são e salva, ao passeio. Mas qual quê! Nem pela esquerda, nem pela direita. Era carro e mais carro e mais carro. E eu, que até sou elegante e esbelta e fininha (não sou, mas, pronto, é para vocês perceberem a ideia), não conseguia furar. É que não conseguia.
Deu-me cá uns nervos. Baixou em mim o espírito de implacável justiceira e, zás, pus um papelinho no pára-brisas. Com uns dizeres muito assertivos, a apelar à consciência do motorista. Pois que lhe perguntei como é que passaria ali acaso andasse eu numa cadeira de rodas. Pois que lhe disse que ele não era uma pessoa cívica. Toma que já almoçaste! Coisa que não se pode dizer do pobre esfomeado em cadeira de rodas que tenta chegar ao restaurante da esquina, se, per acaso, houvesse um pobre esfomeado em cadeiras de rodas a tentar passar por ali.

De maneiras que agora é assim. Carro em cima da passadeira? Papelinho no pára-brisas.
Isto ainda não é a selva, pessoas que têm automóveis e não querem procurar lugares válidos e legais para os estacionar. Não enquanto eu estiver por perto. Vá lá ver...

4 comentários:

Jessica disse...

Eu, justiceira-implacável-dos-passeios-limpos-e-sem-cocó-de-algés, estou muito solidária contigo.

oriana a. disse...

É pá, esses malandros que se cuidem, se não querem levar com um papelinho no pára-brisas. É assim mesmo Jo! Entretanto, em podendo, vê o filme Dois Dias em Paris, que além de ser uma bonita e hilariante historieta de amor, ensina técnicas de luta um pouco mais, digamos, duras. E conta comigo Super Jo. Ass. Joanete

Jo disse...

Eu estava numa de lhes dar porrada, mas diz que ai e tal a violência não é fofinha e deixa traumas. Mas eu dava-lhes na tromba. Ai dava, dava!

Rita disse...

Errrr... Pois eu quando andava com o rebento no carrinho recorri a outra técnicas. É certo que comecei pelo papelinho, sim. Mas eu sou mais A-Team do que Knight Rider. Vai daí e toca a riscar todos os carros estacionados em sítios por onde eu tinha o direito de passar á vontade. Ah, e rebentei com um retrovisor. E de outra vez chamei a polícia e disse qu enão saía dali enquanto ele não multasse o cabrão estacionado em cima da passadeira.

És mesmo uma super-fófinha, tu...